No natal de 2014 eu estava em Brasília, e no café do hotel havia um recipiente com bacon, maravilhoso aquilo. Aproveitei para fazer o laboratório mental e racionalizar cada uma das fases daquela gordice, descobri que são OITO fases do nosso relacionamento com o bacon:

1 – Percepção – Sua visão periférica acabou de avisar: tem bacon aqui. Mesmo que você nem perceba, seu cérebro percebe, seja porque viu – como eu disse – seja porque sentiu o aroma, mas lá está; bacon, frito, escurinho, crocante…

2 – Negação – Por alguns segundos você tenta se convencer que não viu o bacon, que ele não está lá; você SABE que viu, mas acha que se convencendo que não viu, sua mente vai acreditar e não vai desencadear o turbilhão de sentimentos diabólicos de comer um monte de bacon;

3 – Conscientização – Você assume que viu e fica olhando. Você sabe que aquilo é cancerígeno, tem gordura saturada, engorda, aumenta a barriga mesmo se você for magro, envelhece, entope artérias, deixa o corpo e o pensamento lento, piora ou faz surgir esteatose hepática;

4 – Negociação – O problema é que mesmo sabendo que tudo de ruim que aquilo causa… você QUER! Então você começa a negociar com você mesmo. “Só um pouquinho”; “Faz tempo que não como bacon, não vai fazer mal!”; “Estou malhando bastante, meu corpo nem vai perceber que eu comi isso”; “Depois eu malho pra dissipar o efeito”; “Ah, só dessa vez, depois eu paro”; e por aí afora…

5- Degustação – Nada adiantou, você pegou um monte de bacon, colocou no pão, está comendo com algo ou direto com garfo e faca. Já que está comendo o que não deveria, resolve se empanturrar e se entregar aos prazeres da gula. Sente cada nuance do gosto, do cheiro, da textura – dane-se a forma, o corpo – esse é um momento único! “Pqp!… Yessssss!…”

6 – Culpa – Saciado, você até consegue sentir a gordura circulando pelo sangue… “Putz! E agora? Eu comi um monte dessa porcaria!” (começa a sentir nojo), “O que eu faço? Esqueço? Vomito? Vou correr?”

7 – Auto-depreciação – Logo depois da fase da culpa, vem um monte de pensamentos do tipo “Eu não devia ter comido isso!” ; “Como eu pude me sabotar assim?” ; “É assim que eu sou determinado?” – E começamos a quebrar a própria autoestima por não ter sido capaz de resistir à tentação baconiana. Você racionaliza tudo o que fez e percebe que não foi capaz de dominar a própria vontade…

8 – Resolução – Começa a aceitação “Ah, comi, então dane-se”, e pensamos em correr, malhar, que aquela foi a última vez, que “ainda bem que aproveitei bastante”, “vou gostar mais de mim”

bcn__

Eis que, em algum outro momento, você passa em algum lugar e sua visão periférica diz: “Hummm… bacon!…”

 

comments (1)

  • Raphaela de Oliveira Reply

    Eu particularmente não gosto de BACON.
    Só o aroma me deixa com ância de vômito kkkkk
    mais é bem assim mesmo , com alguns alimentos que você sabe que não vai te fazer bem, mas você quer.
    SOBRE seu post : é algo que acontece no dia a dia de quase todas as pessoas.
    Uma guerra psicológica quase impossível de vencer .

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