Essa é a segunda São Silvestre que corro. Na primeira, em 2010 [clique para ler sobre], eu estava em deslumbramento pela corrida, olhando a cidade. Agora, já não tão empolgado, corri mais introspecto, concentrado, pensando no (péssimo!) ano que passou e recriando os projetos; olhando mais para a frente e menos para o lado, no percurso.

  • Quando corri aqui em 2010, havia inscrição para um pelotão que largava antes da galera, foi onde me inscrevi. Esse ano aboliram tal pelotão privilegiado; só tinha pelotão de elite e o geral. Quase uma hora antes da largada já estávamos todos a postos; e assim que foi dada a largada, demorei mais de dez minutos para conseguir passar na plataforma de largada;
  •  Esperar tanto para a largada trouxe uma catástrofe: com vinte minutos de prova a bexiga deu alarme. Ferrou! No prospecto constava que nos pontos de apoio de água também haveria banheiros químicos; tinha não. Tentei me concentrar nos pensamentos e na música para esquecer a bexiga. Lá pelo Km9, o alarme chegou no auge, tive a ideia de entrar no primeiro boteco agitando uma nota de dinheiro na mão “cinquentão para ir ao toalete!” – Mas entre tal ridículo e mais 6 quilômetros, resolvi adiar a leseira (fiz bem!);
  • Nesse ano, ao contrário de 2010, teve água e gatorade para todos, ufa!
  • Depois das estações de hidratação, os locais de passagem mais disputados eram… as grades de saídas de ar do metrô, passamos por umas três. É que saía um ar gelado de lá. Show!
  • Lá pelo Km6 avistei uma galerona voltando (é, voltando!) – É que em uma bifurcação de via por canteiro, um das vias estava obstruída por uma obra – e NADA estava sinalizado – os “quase mil” retornantes estavam com cara de poucos amigos e devem estar xingando o Haddad até agora… O problema é que dali em diante tínhamos que sair olhando pelo menos uns 200 metros à frente para sabermos se as vias estariam livres – seguir a multidão não era garantia de caminho correto!
  • Em algum momento estouraram fogos de artifício – o problema é que eles foram estourados muito baixo, bem acima do pelotão, o que assustou a galera – só vi uns disparando com medo e todos em volta olhando pra cima assustados…
  • No Km11, o que eu temia aconteceu: meu joelho esquerdo resolveu começar a doer. Lembrei logo de 2008, quando senti a mesma dor e logo depois lesionei o menisco externo. Na hora comecei a lembrar de tudo o que aprendi lendo Lair Ribeiro, Paulo Coelho, “O Segredo”, o diabo-a-quatro de auto-ajuda e comecei a pensar no mantra “Aguente joelho! Aguente joelho! Só mais quatro quilômetros! Aguente joelho!…” (funcionou!)
  • Lá pelo Km5, estava na calçada um grupo de dezenas de pessoas com especialidade mental, sorrindo e acenando para os corredores – emocionante! Vi umas pessoas perto de mim chorando.
  • Havia um corredor sem uma das pernas, sem prótese, estava de muletas. Com uma camisa na qual estava escrito “Eu posso, e você?” – (Sem palavras)
  • Vi um cara correndo com o bebê naquela bolsa pendurada na barriga do cara – pensei “ele não tem com quem deixar ou estava treinando resistência da coluna? Não deu pra ver se o moleque estava acordado;
  • Um grupo teve a duvidosa ideia de a cada quilômetro parar para tirar foto na placa do quilômetro… dããããã 😛
  • Eu achei que estava correndo devagar quando uma velhinha me ULTRAPASSOU, acenou e ainda riu, a abusada. E tive certeza que estava lento quando fui ultrapassado pelo rapaz de muletas, uma senhora mancando, dois cadeirantes e uma criança levando um cachorro;
  • Andei sim, duas vezes. A primeira (uns 20 metros)  foi de forma involuntária: houve um gargalo no percurso devido a uma obra, se quisesse ou não tinha que andar para passar. A segunda vez que andei, uns 30 metros, foi lá pelo Km 13, para estabilizar o joelho. Eu lembrei que a meta de “Fazer os 15Km sem andar” eu já cumprira em 2010; e me conscientizei que eu não precisava dar uma de herói à custa do risco de ficar 3 meses de molho caso o joelho estourasse.
  • Ah, estranhamente, mesmo andando nesses dois momentos ainda terminei o percurso em menos tempo que em 2010 (sinistro)! 2H23m. Deve ser porque corri mais rápido ou estou menos gordo agora;
  • Acho (não tenho certeza) que, de todas as edições, essa foi a com menos atletas fantasiados;

 

Abaixo, algumas das figuras dessa edição da corrida:

 

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Papai Smuuuuuurf!
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– A senhora é freira mesmo? – Carmelita. (Até agora não sei se é verdade ou se ela estava zoando…)
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Ele não morreu!
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“Quer falar com o Pai Véio vem agora/Porque Pai Véio já qué ir simbora”
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“Tu-tu-tu-tu-tu-tu-tubarããããããão…”
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“Pelos poderes de Greyskull!…”
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Ouvinte de Bob Marley…
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O clone joiado
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Direto de Lancelot
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A Mary Jane não estava lá

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Foi muito legal! Estou feliz com mais essa marca. Esqueçam o que escrevi em um post antigo (mas vou mantê-lo por motivos históricos).

Feliz 2015, Feliz 2015. FELIZ 2015!

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comments (1)

  • Raphaela de Oliveira Reply

    Kkkkkkkkkkk
    foi ultrapassado por uma velinha, um de muletas , uma senhora mancando e uma criança com um cachorro.
    confesso que rir quase 3 horas sem parar, muitas das vezes rindo sozinha me lembrando dessa frase e do post tbm…….. kkkkkkkķkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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