Em 1987 meu irmão Marcus chegou em casa com um toca-CD da Phillips, o primeiro modelo vendido no Brasil. Uma inovação tecnológica absoluta na época. Ao ouvir um CD fiquei extasiado, pois realmente o som era limpo, sem chiados, sem estalos entre as faixas. Perfeito. Desde o início estava claro que aquilo mataria o LP.

Matou. Em 1998 fechou a última fábrica de LPs do Brasil.

Hã? Eu escrevi “matou”? Acho que não é beeeem assim…

Quinze anos depois, começaram a surgir discussões sobre a superioridade do som do LP em relação aos CDs.

Embora no início tal discussão tenha sido acirrada. Hoje já se sabe que o som do LP é bem superior ao do CD (estudos já provaram isso).

O som eletrônico inferioriza as ondas, pois as transformam em “zeros” e “uns” (numerização), de forma que o que ouvimos em um CD já é artificial em relação ao que fora captado. O LP, analógico, é a cópia física das ondas captadas, o que gera cópia fiel do som.

Ocorre que tais estudos levam em conta os LPs importados.

Sabemos que os LPs fabricados no Brasil eram os finos, que continham 14 músicas. Isso é ruim, pois embora contivessem mais músicas, os sulcos eram rasos, que fazia com que a música ficasse sem graves nem agudos. Comprimida.

A física é simples, nos LPs de maior espessura, importados, o sulco era mais profundo, que permitia encaixe mais profundo da agulha no vinil, assim os graves ficavam mais envolventes e os agudos mais precisos. Mas tais LPs não eram vendidos normalmente no mercado brasileiro. Além disso, os audiófilos das antigas afirmam que o vinil fabricado no Brasil, e usado nos discos, tinha pouca pureza, sendo misturado com muita matéria asfáltica – mais um motivo para ser tão ruim

Assim, a discussão sobre qual som ser melhor, o do CD ou do LP, não leva em conta o tipo de LP que tínhamos aqui.

Comparado a um LP importado, o som do CD é inferior mas, definitivamente, o som do CD é e sempre foi superior ao dos LPs brasileiros!

Em questão de durabilidade, o LP ganha mesmo, mesmo os nacionais. Engraçado que em sebos encontramos discos com quase 60 anos, e ainda tocam perfeitamente, ao passo que alguns dos meus CDs simplesmente oxidaram, e o alumínio do miolo começa a sumir, do nada. Sinistro!!!

l_vinil.jpg

Como você pode notar no título do post, usei a palavra “fazia”; isso porque, hoje, até o CD já está sumindo das lojas! O mundo sonoro está se transformando em meros arquivos de audio; a conveniência está suplantando a qualidade do audio. Em interessante artigo “O Fim da Alta Fidelidade”, de Robert Levine, reproduzido aqui, ele afirma:

“Assim como os cds acabaram com o vinil e com as fitas cassete, o MP3 e outros formatos digitais estão rapidamente derrubando os CDs como a forma mais popular de se ouvir música. Isso significa mais conveniência, mas som pior. Para criar um MP3, o computador copia a música de um CD e a comprime em um arquivo menor, excluindo a informação musical que o ouvido humano tem menos probabilidade de perceber. Muita informação eliminada está nos extremos do espectro, por isso o MP3 parece não ter nuances. O produtor Rob Cavallo diz que os MP3s não reproduzem bem a reverberação, e a falta de detalhes torna o som ‘quebrado’.”

Ah, só pra não fugir do tema, na Manaus dos anos 80, comprávamos discos na Discolândia, Disco de Ouro, Disco de Prata, Disco de Bronze, Bemol, Mesbla e TV-Lar. Um dia escrevo um post sobre as nuances dos LPs.

comments (5)

  • Marcelo Augusto Reply

    Eu não sinto saudades dos LP’s. Nunca os tolerei.

  • Faltou mencionar a Novidades Disco, que ficava ao lado do Camões Vestibulares, em frente ao Cinema Carmem Miranda…

    • Marco Evangelista Reply

      Rapazzzzz, eu lembrava da loja, mas não o nome! Pow aquela loja tinha de tudo; comprei os discos do Raul Seixas quase todos lá.

  • Eu sempre gostei do som do vinil antigo fabricado do início de 82 pra trás.
    É aquele som cheio de detalhes em que cada instrumento toca no seu lugar. O cantor não fica disputando com os instrumentos pra ver quem toca mais alto.

    O que me fez parar de comprar Lp é que hoje a vida pede por praticidade, rapidez, espaço!

    O mundo hoje não é como nos anos 80 e 90 em que você só tinha a tv e o rádio pra se divertir em casa. Tô falando da classe média baixa ta!

    Chegava o final de semana não tinha trabalho e você ficava angustiado pensando no que ia fazer pra passar o dia todo em casa. Isso para os sedentários da época, tá!
    Hoje temos jogos diversos, computadores, três 2 a três celulares por pessoa, pra quem gosta de internet, claro!

    Fica muito difícil alguém sentir empolgação em pegar aquele vinil empoeirado, limpar com cuidado uhghhh!, ver se a agulha tá no lugar. Tentar acertar o início das faixas ( haja paciencia) .

    Enfim muita coisa joga contra o vinil. E o que ganhamos com isso: apenas um som ligeiramente melhor nas novas pickups.

    Enfim pros jovens de hoje é mais um trambolho que uma diversao!

    Claro que o mesmo não pode ser dito pelo pessoal antigo.

    Mais eu imagino eu: um jpvem dos anos 90, amante da musica de qualidade, Sinto tedio em manipular o Lp. Imagina pro jovem da era da Internet, em que tudo tá ali: a um clique pra se entreter. Não da não é mesmo?

  • O meu sonho era que as gravadoras conseguissem pegar o som do vinil e colocar igualzinho no Cd, no streaming…

    Mas elas não fazem isso. Ao contrário: comprimem a música. Tudo fica irritante

    Tanto é verdade que duvido que alguém consiga ouvir um cd todo por no mínimo 40 minutos. É difícil encontrar hoje alguém que goste de ouvir o disco todo!

    Um exemplo moderno do que falo: a Banda Malta.

    Esses caras faziam milagres no superstar. Era aquele som pra branco ver (me desculpem mas não sou racista)
    Feito com precisao, sem firulas. Sempre fazendo o melhor a cada apresentação. Um som como a muito eu não via em programa de calouros/ descobertas musicais ( a Banda já era profissional).

    Um som de qualidade técnica. Você sentia cada instrumento no corpo. Tudo maravilhoso.

    É no Cd de estreia a grande decepção. Tudo tocando algo, comprimido. A voz do Bruno soando robótica!

    Dava pra ver que a intenção do Cd era o público internauta. Do som de computador. De caixas de R $ 100,00.

    Os tempos mudaram. Eu sei.

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