Mundo comum atual: “Pega-se um monte de coisas pré-escritas, se sai abrindo aspas e dando crédito e…. voilá: mais um livro de direito livro está pronto. Ah, e se não gostarem ou não entenderem? É que não estão no nível do que foi escrito. Não gosto mesmo de livros que só despejam dados na cara do leitor.”

Convenhamos: escrever assim, até um cachorro bem treinado escreve.

Livro, mormente jurídico, precisa EXPLICAR, precisa PARTIR DO ZERO, fazer nascer a ideia do assunto, o feeling, ir ligando o assunto ao que já sabe, à vida, só dai se inserir na técnica jurídica – fazendo o leitor ter a impressão que “aprendeu sem perceber”. Isso – ISSO – é difícil. Tenho conseguido, e sei bem a qual custo, usar os dois lados do cérebro para construir o ensinamento da materia, gerar emoção onde não tem, em um texto. Uma coisa é dizer “vermelho”, outra bem diferente é dizer “cor de sangue”. No primeiro caso, há informação, no segundo, há informação e emoção.

Essa coisa simples, mas não fácil, é desgraçadamente inatingível pela quase totalidade dos livros jurídicos que tenho lido desde os anos 90, enqunto cursava faculdade. E, a menos que seja por erro ou ignorância de quem escreve ou edita, penso ser uma tremenda má-fé com o leitor, posto que o direito já é, por si só, omplexo, detalhado, espinhoso – assim, penso, qualquer um que queira escrever sobre deveria ter, no mínimo, o didatismo (e não o diletantismo!) como meta primeira do seu texto.

Eu absorvo a matéria, e fico semanas internamente fazendo a análise, síntese, interligando com outros assuntos – inclusive não jurídicos; quando eu percebo que consigo olhar aquele assunto sob outra ótica, de outra maneira, com outra cor – de preferência de alguma forma que não tenha sindo ainda explicado, PRONTO! Está pronto para ir para o papal, digo, para o documento em branco do word.

Gosto de livros assim, como os do Marcelo Paolo, Vicente Alexandrino; e dois livros que saíram de linha: o de direito constitucional e administrativo de Willian Douglas (é, o “guru dos concursos” mesmo), ele tinha esses dois livros há dez anos, pela Ímpetus, que sumiram do mercado. São livro que nos fazem “entrar” no texto, como se tivéssemos lendo um romance.

É isso que gosto! É isso que busco nos meus livros, e é isso que espero continuar gerando.

No mais das vezes, fica a impressão que quanto mais o autor sabe sobre a matéria, menos consegue explicar e mais difícil fica seu texto. Tiro por mim na faculdade que estou cursando, de Economia: 95% dos livros que envolvem questões matemáticas são uma bela porcaria, escritos, aparentemente, para quem já sabe a matéria; para iniciantes, “burros na matéria”, que é justamente quem mais precisa dos ensinamentos… quase nada!

Infelizmente, a maioria dos livros jurídicos que me caem às mãos (alguns eu compro, na esperança), nada mais são do que uma série de colagens de textos sobre determinada matéria, que até nos irritam durante a leitura. Parece que fomos enganados, que aquele autor queria ter livro de qualquer jeito e aprontou qualquer porcaria – por vezes com capas lindíssimas e grandes editoras – e nos joga no colo. No way!

Chamo a esses livros pseudo-didáticos de direito de mera “masturbação jurídico-literária.”

Eu já havia dito em outro post que difícil é escrever fácil, pouco, de forma agradável e inteligível.

Um início errado é querer gerar um livro a partir de um trabalho acadêmico. Aprendam: texto científico-acadêmico não é texto didático. Sempre que sou procurado (nem sei porque, será que acham que sou alguma referência editorial?) por algum colega me dizendo “Quero transformar minha dissertação de mestrado em livro, por onde começo?” – digo logo: “Comece tomando só sua conclusão como base do texto e escreva o livro do zero, do zero mesmo! Lembre que quem irá lê-lo não é mais a banca, mas algum leitor que acredita que pode aprender algo com você!”. 

Por isso não me empolgo facilmente com a maioria dos livros de direito atualmente disponíveis.

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