Uma coisa boa de ter 40 anos – alguma coisa boa tem que ter – é poder ter sido testemunha da redemocratização e de todas as eleições desse período – lembro de algumas coisas lá de quando passei dos três para os quatro anos No que toca às eleições, foi assim:

 

1978

Eu já era ávido telespectador, e ficava perto da roda de conversa dos adultos, quanto tinha 4 anos; por isso já ia montando alguma realidade.

Não houve eleição direta para Presidente, mas houve para outros cargos. Tá eu poderia ter colocado no título “sucessões presidenciais” ao invés de “eleições” mas, tecnicamente, que houve eleição, houve! Mas não se ficava sabendo como era, sequer era indireta, era interna, pela “cúpula da revolução”, o ungido era João Baptista Figueiredo. É que mesmo tendo sido “votado” pelo Congresso, este apenas o carimbou, a escolha já estava feita, e todos sabiam disso.

O que eu noto hoje, lembrando daquilo, é que todos CONFIAVAM em quem era empossado na presidência, mesmo sem tê-lo escolhido. Talvez pelos relativos bons resultados econômicos dos presidentes militares anteriores, as pessoas não só aceitavam como apoiavam quem fosse indicado pelos miliares. Foi assim que João Figueiredo entrou na presidência: tendo carta branca do povo – de todos os presidentes militares ele era o menos discreto, já que se deixava fotografar no seu hoby de equitação e sem camisa, coisas que os presidentes anteriores não deixavam.

 

1984

Essa eleição é a prova de que pouca coisa faz sentido na política brasileira. O povo queria eleições diretas (bem, na verdade, o povo do Sudeste, pelo país inteiro não houve muita mobilização pela “Diretas Já” não, até porque boa parte da geração de eleitores em potenciais passaram a juventide sem eleger presidente, então se habituaram a nem saber o que era aquilo.

O fato é que a Emenda Constitucional que permitiria o voto direto foi reprovada.

MAS, como tudo de improvével é possível no Brasil… o presidente eleito pelo congresso foi justamente o que detinha a quase unanimidade de apoio popular> Tancredo Neves. Ou seja, acabou sendo uma espécie de eleição direta mais simples e rápida.

Seu opositor mais direto era Paulo Maluf, mas só o mais velhos torciam por ele, a juventudo e estava mesmo era com Tancredo. Não havia na época, nenhuma propagando do tipo “O primeiro presidente civil em vinte anos”, talvez porque, ao menos naquela época, não havia mágoa ou rancor dos militares.

 

1989

Seria a primeira eleição direta para presidente para uma geração inteira.

Muitos candidatos, MUITOS, despontaram Collor, Lula e Guilherme Afif Domingos (eu torcia pro Afif) – de última hora, o candidato Correa saiu da disputa e quem entrou em seu lugar foi… Silvio Santos! É claro que eu passei a torcer para ele, mas logo depois o TSE barrou sua candidatura. Seriam usadas cédulas de papel, e Silvio Santos apareceria como “Correa” na cédula. Engraçado que o jornal de televisão que mais se opções á campanha de Silvio foi o da sua própria emissora, incrível! O Noticentro, cujo Âncora era Bóris Casoy, descia o cacete na candidatura do patrão!

Boni, na sua obra “Livro do Boni” (e como ele disse AQUI), ele conta que o canal de TV em que ele trabalhava deu uma ajudinha ao candidato vencedor, Collor, fazendo com que no debate ele surgisse com um monte de pastas sobre o púlpito, dando a entender que seriam documentos contra o PT, isso manteria o outro candidato, Lula, intimidado. Não sei se funcionou, mas Collor ganhou.

Uma propaganda lembramos até hoje: os dois “LL” do Collor sendo uma locomotiva e indo destruindo palavras do tipo “desonestidade”, “corrupção”, “Desvio” e, ao final, formar o nome CoIIor.

Tinha a imagem da juventude, da jovialidade, o país voltava a ter uma primeira dama jovem e bonita (em comparação às anteriores, ok?), a niva década estava chegando e o otimismo daquela época nunca foi alcançado em posse alguma até hoje.

O PT ficou com tanto trauma de haver perdido essa eleição que anunciou que faria um “Governo Paralelo”. Tal “governo paralelo” nunca aconteceu, e nem precisou de afinco para oposição, pois Collor começou, ainda no primeiro ano de governo, a fazer uma besteira após outra…

 

1994

Em 1992 houve impeachment do Collor, quem assumiu foi Itamar Franco, do PSDB, vice deo Collor, e conseguiu em apenas dois anos fazer um ótimo governo, seu topete ganhou a simpatia do país e conseguiu controlar a inflação, digo, hiperinflação. Seu ministro era Fernando Henrique Cardoso, e todos já sabíamos, portanto, quem venceria aquela eleição. Foi a primeira vez que votei para presidente.

 

1998

Fernando Henrique Cardoso fez um governo equilibrado e conseguiu estabilizar a inflação. Isso, só isso, bastou para que ele ganhasse força. Ele percebeu isso e conseguiu fazer aprovar a Emenda da reeleição. usando a bandeira da economia – era uma época em que a inflação estava baixa, e o dólar valia pouco mais de 1×1, conseguiu se reeleger. O PT começava a descer o nível da campanha, já indicando o que viria no futuro.

 

2002

A disputa já começava com uma certeza: O PSDB não faria o sucessor. O povo estava cansado de FHC, e o PT fazia oposição até à respiração de qualquer integrante do PSDB em qualquer cargo político.

Essa certeza aumentou quando o candidato escolhido pelo PSDB era José Serra. De bom, tinha as mãos e o passado limpo; mas era totalmente sem carisma, sem brilho, passava uma frieza de doer – estava fácil ganhar do PSDB naquela eleição.

Deu lula, claro. O Brasil estava na imensa expectativa para saber, afinal, o que seria o PT na presidência, depois de tantas tentativas e tanta oposição.

A propaganda que lembramos até hoje: Aquele monte de mulheres grávidas vestidas de branco, enviando a mensagem subliminar do nascimento, do novo, da felicidade, tals…

 

2006

O PT usou novamente, para a reeleição, a mesma bandeira que FHC usou para a sua: a economia. A vida do povvo, em geral, havia melhorado e isso é fato (a minha melhorou, também – verdade seja dita). Ele soube explorar bem isso. Nunca os Marketeiros dominaram tanto um cenário político, com as propagandas eleitorais chegando quase e níveis Hollywoodianos.

O candidato do PSDB era Geraldo Alkmin, bem menos carrancudo que José Serra, mas ainda muito sério, gélido e não soube personificar o país, sempre parecendo “paulista” depois – nada contra os paulistas, mas Alkmin, ao menos naquela eleição, não se integrou com as regiões.

Não havia estourado ainda as quinhantes acusações de corrupções contra o PT, então o partido ainda podia se pintar de impoluto.

Lula ganhou, mais por falta de um concorrente à altura do que por convicção do povo sobre reeleger Lula.

 

2010

Uma mulher candidata! A primeira mulher Presidente! A Sucessora de Lula! – Essa era a bandeira de Dilma Russef, uma espécie de super-mulher trabalhada nos últimos dois anos da presidência de Lula.

O PT já estava queimado com acusações de corrupção, mas se pensou que uma mulher faria a faxina. E como os níveis de emprego e renda continuavam relativamente melhores do que os da era FHC, Dilma ganhou.

A expectativa: o que  uma mulher faria diferente na Presidência, que nenhum homem conseguiu fazer até hoje?

 

2014

Os que tinham algum dinheiro, internet, facebook, jovens, queriam Aécio. Os pobres, mantidos com bolsa-família e ascendentes à classe média queriam Dilma. Isso ficou absolutamente claro.

Houve o acidente com a aeronave do candidato Campos (alguma teoria da conspiração explica?) Marina Silva sobe e chega a segundo lugar no eleitorado, mas começa a perder a coerência, mudar de opinião muito rápido e demonstrar fraqueza quando era confrontada pelos outros candidatos: caiu para o terceiro lugar.

Nessa propaganda valeu de tudo, os candidatos quase xingam a mãe um do outro. Mais sobre essas eleições em um post AQUI.

Escrevo esse post após duas semanas dessa eleição, e pululam denúcnicas, algumas formais, outras informais, de corrupção eleitora, de urnas com “vontade própria”  já exisstem passeatas visando anular a eleição; foi pedida – e negada – auditoria com recontagem de votos. Enfim, simplesmente o país está dividido e todos estão a expectativa para ver que bomba que vai dar, que seja alguma bomba de renovação e honestidade…

elcs

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