Hoje o Flamengo joga contra o Corinthians, tecnicamente está em desvantagem em qualquer aspecto que se considere, exceto em torcida e por jogar em casa. Faço questão de escrever esse post antes do jogo, já que valerá independente do resultado.

Vamos lá: Porque sou Flamenguista?

Era lá por 1980 a 1982 quando virei flamenguista. Acabei sendo produto do meio e das pessoas em volta: no Ida Nelson só falávamos em Flamengo, meus primos nas festas falavam em Flamengo, na televisão só dava Flamengo.

Na época, inclusive, ser flamenguista era como ser católico. Quem não tinha religião, dizia que era católico – tinha até o sub-tipo: católico não praticante. Só pra não dizer que é sem-religião.

Assim era ser flamenguista: se não tinha nenhum time em especial, era flamenguista.

 

Mais ou menos assim:

  • Nos anos 50, quase qualquer cadela ganhava o nome de “Laika”;
  • Nos anos 60, quase qualquer novo colégio estadunidense ganhava o nome de “John F. Kennedy”
  • No início dos 80, qualquer indeciso virava flamenguista.

Entendeu?

 

O ídolo da juventude, na época, era o Zico. Lá por 80 a 83, houve um hiato onde sequer grandes ídolos pops, surgidos no momento, existia; quando muito, o Michael Jackson, lá longe. O Zico então era um ídolo da juventude daquela época, naquele interstício.

O Zico era um ídolo e cara-modelo, de profissional, de integridade, não víamos o cara metido em arruaças ou escândalos – era alguém em que podíamos nos espelhar.

E a qual time pertencia o Zico?

No outro polo ficava o Vasco que, por algum motivo que não sei, era considerado algo menor, sem prestígio, um sub-time; os vascaínos eram discriminados, alvo de riso, pena e incompreensão – era assim, pergunte a quem viveu a época.

Foi assim, então, que desde lá sou flamengo.

Em janeiro de 2014 realizei um sonho antigo: visitei o clube do Flamengo, no Rio; não passei do átrio, mas gostei de ter estado lá, ainda mais que tem uma estátua do Zico, sinal de que eu estava errado em tê-lo como ícone da minha geração.

Não sou fanático, nem sei a escalação do time; nem ligado ao clube eu sou; hoje é quase “já que não sei o que sou, sou Flamengo”.

E continuo sendo. Sei que vive tomando cacete vem em quando, vive ganhando e perdendo, absolutamente irregular. Nada tem daqueeeeeeeele Flamengo do qual eu me tornei fâ há trinta e poucos anos.

ognemalf

comments (1)

  • Raphaela de Oliveira Reply

    Tbm não sei porque sou flamenguista, deve ser porque a minha familia quase toda é, kkkkkkkk

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