Pelos próximos dois minutos deixe a paixão ufanista na geladeira:  O que você acha do nosso Hino? Não do símbolo, do instituto, do que ele representa; mas do que escutamos e cantamos mesmo?

Pode ter uma letra linda, inspiradora… mas parece que foi feito para não ser cantado, nem entendido, nem amado!

Duvido que um terço da população saiba o que significa cada verso do Hino. É um negócio longo, sem emoção, sem qualquer parte épica  – e isso justamente em um país tão musical, como o nosso. Um spin-off que sai do nada para lugar nenhum, juntando um monte de auto-elogio que dá uma impressão de “já que tudo é tão maravilhoso quanto na letra, o que precisamos nós fazermos para melhorar algo tão perfeito?”

A impressão é que foi algo vindo de cima pra baixo, imposto garganta adentro por falta de algo melhor.

Não nego que existem hinos muito piores que o nosso; só não cito aqui para não criar problema diplomático, mas isso não justifica nosso Hino ser tão sem-emoção assim.

Nem discuto a profundidade da letra – é tão profunda que é problemática.

A linha melódica, de tão meios-tons, não fala ao coração, não toca na alma, não nos faz querer ficar de pé de empolgante. É vazia, triste, longa, quase (quase!) monocórdica e forçada.

É um amor bandido: Embora ninguém se emocione com o Hino, tenho certeza que, em havendo um plebiscito, ninguém ia considerar a hipótese de trocá-lo, talvez por já ter vivido sob ele a vida inteira; o novo assusta.

Nem cogito sua mudança, já que hino tem valor histórico, leva todo o passado e legado da nação com ele e tals e tals mas, sabe qual é meu sonho? Que um dia surja uma música épica enaltecendo nosso país tão boa que seja, pelo público, cantada sempre em todos os eventos como nosso Hino Não oficial – certamente ajudaria nosso combalido patriotismo aflorar.

Você acha que estou maluco? Pois escute essa música que Emerson, Lake & Palmer escreveram para Jerusalém, um verdadeiro Hino Nacional em música e letra:

(Um clip viajante dela pode ser assistido AQUI)

O hino considerado mais lindo do mundo (e realmente o É) é a Marselhesa, da França, tão duka que, assim como o “Jerusalém” do Clip, dá vontade de escutar de pé, duvida? (Aliás, os Beatles tascaram a introdução da Marselhesa na música “All you need is love”, lembra?). Aqui está a versão da Marselhesa gravada por Edith Piaf.

Para quem não sabe, “O Guarani”, de Carlos Gomes, com uma linha melódica e letra muito melhor; é tida pela crítica como que quase nosso segundo hino; pudera, além da obra do Carlos ser realmente maviosa, não precisa muito para haver um hino melhor que o nosso. Aqui um trecho da Ópera tido como nosso Hino extra-oficial, na voz de Elis Regina.

Antes que alguém me pergunte se eu faria melhor: Se houvesse um novo concurso para escolha de novo Hino, eu no mínimo escreveria e inscreveria uma peça concorrente!

Amo esse meu país; ele merece um Hino melhor.

Só acho.

onih

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