O programa passava na Rede Bandeirantes (não era “Band” ainda) nas tardes, lá por volta das cinco da tarde.

Daniel Azulay, uma apresentador-artista plástico e músico, capitaneava uma turma de amigos, ambientados em um laboratório; em uma época em que internet e celular era coisa de ficção científica, a televisão era onde estava a diversão fora da vida comum.

Daniel conseguia fazer um programa para criança sem infantilizar a forma como falava; o papo era de igual pra igual. Suas músicas, de composições próprias, falavam sobre a própria turma do Lambe-Lambe (alguns personagens tinham música própria, como a inesquecível “Professor Pirajá”) e focavam na agitação de vida de criança. Vez ou outra ele tocava o violão tocando gaita, como Bob Dylan.

DanAzl

Eu ficava vidrado naquele programa. Me mostrou que adultos podem desenhar, pintar e ainda usar tudo isso para ensinarem.

Havia o quadro pincel mágico, onde ele ia pintando um quadro e algo – em movimento- surgia (hoje sabemos que ele ia pintando de azul, e por chroma-key a imagem ia surgindo). Ele ao mesmo tempo em que ia dando dicas sobre o que apareceria, explicava sobre ele.

Os desenhos, uns três por programa, eram do Hanna-Barbera, como todos os desenhos da Bandeirantes naquela época.

A turma do Lambe-Lambe

Gilda era uma humano-vaca, que vivia maquiada, extremamente fresquinha e refinada; uma dondoca-perua extremamente engraçada, falava fino e cantando; vez ou outra desmaiava e falava “desmaiei!”.

Ritinha, com cabelos pretos curtos (humm!) era a moça responsável, que tem direção já traçada; era uma menina, mas falava e pensava como se tivesse uns 19 anos.

Damiana era a engraçadinha, a criança, com uma estridente voz engraçada e jeito infantilizado, personificava a própria inocência;

Piparote era tímido, com uma voz mansa e fanhosa; me parecia que personificava alguém calmo e estudioso;

Pita era o malandro descolado, metido a mágico. Vivia empolgado com samba da mangueira.

Chicória é uma galinha, humanizada e fala com sotaque nordestino; vez ou outra ensinava alguma receita.

O Professor Pirajá é uma coruja; sabe um pouco de tudo, faz experimentos e usa a Chicória como cobaia, quando precisa.

A máquina do laboratório, com aquela televisão desenhada e aquela impagável mãozinha (uma braço preto que saía da máquina e ficava o tempo todo mexendo) era impagável; vez ou outra a máquina entrava em pity, as luzes piscavam e todos corriam para alimentar a máquina com alguma coisa.

Havia o quadro musical, onde alguma banda de rock (é, isso mesmo: rock!) ia tocar algo depois de uma rápida conversa. Não se apresentavam ao vivo, mas o clip era exclusivo, produzido pelo próprio programa. Lembro basicamente de dois lançamentos que ocorreram lá: O Graffitti lançou a “Mama Maria” lá (o clip tinha como fundo um dos desenhos do Daniel) e o TNT tocou (esse foi ao vivo) “Ana Banana” .

O jeito dele falar desenhando me inspirou a ministrar aulas desenhando na lousa, como faço.

Ao lado do Daniel, em pé. Essa é a turma do Lambe-Lambe.
Ao lado do Daniel, em pé. Essa é a turma do Lambe-Lambe.

 

Momento inesquecível:

Era 1991. Eu escutei no rádio que Daniel Azulay estaria em Manaus para um evento. Eu não poderia ir, estaria no colégio. Saí do Ida nelson e fui no Mr. Pizza, que ficava no Villa´s Shopping. Quando estou entrando na pizzaria, quem em vejo saindo?

Daniel veio andando rápido, como se estivesse atrasado ou pensativo em algo. Eu não poderia perder a chance de falar com meu ídolo. Corri pra direção dele, ele ohou pra mim. Estendi a mão e disse:

– Sou seu fã!

Ele abriu um sorriso (ele tinha espinhas no rosto, mesmo adulto), balançou minha mão. Assentiu com a cabeça agradecendo. Não disse nada. Naquele meio segundo eu pensei em puxar um caderno da bolsa e pedir um autógrafo, mas eu notei que ele estava muito ocupado andando rápido, o que me tirou da ideia.

Lembro que fiquei feliz pra caramba “Apertei a mão do Daniel Azulay!”. Lembro daquilo como se fosse agora.

Isso me ensinou que, hoje, quando alguém me para pedindo autógrafo em um dos meus livros, ou elogia minhas inserções na TV, eu paro o que estou fazendo e pensando, e por breves segundos tento transmitir aquela mesma alegria e contentamento que vi em Daniel Azulay.

Daniel Azulay continua ativo, embora não mais na Band (ainda nos 80´s o programa sumiu, ao menos a transmissão para Manaus).

No vídeo abaixo há uma reportagem atual com Daniel (ele parece que não envelhece), onde fala sobre seu antigo programa.

 

 

 

Comprei um poster e compacto que ele lançou em 84; continha histórias diferentes no disco e no pôster. E em 1998 comprei na Bemol um CD onde ele regravou algumas de suas antigas músicas.
Comprei um poster e compacto que ele lançou em 84; continha histórias diferentes no disco e no pôster.

E em 1998 comprei na Bemol um CD onde ele regravou algumas de suas antigas músicas.

Esse é um dos posts para meu futuro filho saber como foi a infância do pai dele. E “Fiiiiiiiu, algodão doce pra vocês!”

comments (2)

  • PARABÉNS!GOSTEI MUITO DO POST SOBRE DANIEL AZULAI.CURTI MUITO O PROGRAMA DELE NA BANDEIRANTES,COMO TANTOS OUTROS DA DÉCADA DE 80 E 90.MAS DANIEL AZULAI E A TURMA DO LAMBE LAMBE ERA ÚNICO.FOI ELE QUE ME INCENTIVOU A SER DESENHISTA.TALVEZ A ARTE TAVA NO SANGUE,MAS QUE ELE ME DEU UM EMPURRÃOZINHO,DEU SIM…CONCORDO:ELE PARECE QUE NÃO ENVELHECE MESMO.JÁ TENHO 42 ANOS E ELE TÁ DO MESMO JEITO.PENA QUE NÃO O CONHECI PESSOALMENTE.CREIO QUE TAMBÉM ELE NUNCA PISOU AQUI EM PERNAMBUCO.DESEJO TUDO DE BOM PRO DANIEL.

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