Se você já perdeu alguém para a morte, já deve ter se perguntado: “como posso estar sentindo tanta falta dessa pessoa se nem éramos tão próximos?”.

Pois é. acontece comigo também. Sinto imensa falta de pessoas que, quando eram vivas, eu nem era próximo, nem era amigo; mas ainda assim fico imensamente triste e achando que falta algo por aquela pessoa não existir.

É o que eu chamo de o “estar lá”.

Egoísticamente, nos acostumamos tanto a ver aquela pessoa nas festas de família, de saber que dentre tios, sobrinhos, primos, aquela pessoa sempre estava e estaria presente que, quando ela morre,tomamos consciẽncia – de forma forçada – de que aquela pessoa nunca mais vai “estar lá” novamente. é algo absolutamente egoísta, pois ficamos triste não só pela partida daquele ente, mas também por nós mesmos não mais poder ter a companhia do que se foi.

Vez ou outra me pego em imensa saudade de familiares que, nem mesmo em festas de família, eu me aproximava, não era muito de conversa. mas vendo fotos, vídeos e lembranças, só em saber que não mais vou poder dizer um seco “Oi” já deixa um vazio.

Isso explica também porque nos abalamos com morte de pessoas que sequer conhecemos. fiquei muito triste com a morte de Raul Seixas em 1989; e alguns mais velhos relatam que, quando John Lennon morreu, em 1980, foi como se tivessem perdido um irmão mais velho. é tudo o efeito do “estar lá”. Ficamos confortáveis em, na nossa cabeça, sabermos que aquela pessoa vai estar lá onde achamos que ela deva estar, ainda que nem tenhamos ás vezes sequer simpatia por ela.

Quando ela parte, sabermos que não mais estará lá faz nascer a saudade, a saudade de quando ela “estava lá’.

oiza

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